Oportunidades Exponenciais, livro de Peter Diamandis e Steven Kotler

O livro “Oportunidades Exponenciais” é impactante, interessante e traz a à luz práticas de inovação, com o incentivo ao desenvolvimento tecnológico necessário ao empreendedor.

Em nossa última pauta sobre livros do mês que envolvemos o tema “Inovação” seguimos com a obra de Peter Diamandis e Steven Kotler, no Brasil editado em 2016 pela editora HSM.

Diamandis é engenheiro, médico e empresário grego-americano, co-fundador executivo da Singularity University, entre outras empresas, além de ser coautor de “Abundância”. Kotler, que não é o papa do marketing
Philip Kotler (não confunda), é jornalista premiado e coautor de “Abundância”, escritor de diversos livros e artigos como para a Wired e Discovery.


Capa do Livro: Oportunidades Exponenciais

Logo na introdução os autores Diamandis e Kotler observam que na história, muito antes, o domínio de ferramentas e capital de investimento estava entre reis e imperadores para solução de grandiosos problemas. Hoje, pela primeira vez na história está nas mãos do indivíduo, que empoderado de conhecimento, tecnologia e dinheiro pode conduzir esta força para o sentido exponencial.  

“A tecnologia exponencial, …, refere-se a qualquer tecnologia que acelera em uma curva de crescimento exponencial, ou seja, dobra de maneira regular (a cada seis meses, a cada ano etc). A computação é um exemplo bastante comum. Quando uma mulher na Mongólia atende seu smartphone, está usando um dispositivo 1 milhão de vezes mais barato e mil vezes mais podereso do que um supercomputador da década de 1980. É assim que a mudança exponencial se manifesta no mundo real”. (Diamandis, Kotler, Oportunidades Exponenciais)

Basta lembrarmos de tecnologias como as de redes de computadores, sensores, robótica, inteligência artificial, biologia sintética, a genômica, medicina digital e nanotecnologia, entre alguns exemplos citados como progresso exponencial.

[Outros livros sobre Inovação trazidos aqui no Blog oplanodevoo.com – como “A Quarta Revolução Industrial” de Klaus Schwab e “Além da Disrupção“, de Jean-Marie Dru]

Diamandis e Kotler destacam que este livro é voltado para empresários, ativistas e detentores de meios que podem causar mais impacto no mundo e muito além, concretizar sonhos.


Contra-Capa do Livro: Oportunidades Exponenciais

O livro se propõe a ser um manual prático e de fato é bem didático. O vejo como meio termo entre suas teorias, justificado por seus inúmeros exemplos com cases de pessoas e empresas, testemunhos com grandes nomes do mercado e seus conselhos. É Didático por suas várias listas com técnicas e métodos para soluções indicadas, trazendo ao leitor suas metodologias propostas. É prático, leve e nada burocrático. Foi escrito como um manifesto e manual para empreendedores ou qualquer interessado em crescer e a criar riqueza e impactar, segundo seus autores.

O livro se divide em três partes:

1 A etapa inicial está destinada a demostrar como a tecnologia exponencial abraça as empresas, levando cases como por exemplo do sucesso e fracasso da Kodak.

2 Para a segunda parte os autores trazem ferramentas metais para os empreendedores apostarem na escala, com conselhos de nomes como Larry Page (Google), Elon Musk (Tesla, SpaceX), Richard Branson (Virgin Group) e de Jeff Bezos (Amazon, Blue Origin).

3 Na parte final temos as melhores práticas para “…qualquer um alavancar a atual multidão hiperconectada como nunca antes”.

Case: Kodak

Um tema sempre presente em debates de marketing e inovação, neste novo mundo de mudanças, é retratado no livro de forma prática e rica em informação, o case Kodak. Essa história nos leva a refletir em quantas oportunidades perdidas a empresa esteve na mão em se destacar como inovadora, mas ainda pertencente a um mundo com outro mindset e práticas, que hoje são tidas como contra-inovadoras.

Uma empresa que se afundou em teorias e em uma condução do negócio que era certo para um determinado tempo, entretanto, o problema é que este tempo estaria fadado ao fim.

Comercial para TV, da Kodak, 1977

Os autores trazem a história do George Eastman, que em 1988 foi passar férias na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana. Então, o jovem escriturário de 24 anos comprou um equipamento fotográfico por indicação de um colega, para registrar imagens de sua viagem. Nem precisa pontuar aqui o peso e tamanho dos aparelhos, que trabalhava com “tecnologia molhada” para registro da fotografia.

Na imagem George Eastman e Thomas Edison, por um fotógrafo não identificado, em 1928.
Fonte: Eastman.org

Eastman ficou então fascinado pela química e dedicou-se em estudar e a melhorar o processo para algo portátil. Pesquisou, testou, inovou e experimentou, quando criou a fórmula da chapa seca e uma máquina para fabricá-la, nascendo a Eastman Dry Plate Company. George criou o filme de rolo e em 1988 uma câmera portátil para seu uso, tornando a tecnologia comercialmente aceita nesta época . Mudou o nome para Kodak e seguiu adiante.

Repare nos modelos de negócios evoluindo com o tempo, chapas, rolo de filme, máquinas para fotografar. Na época, para George sua empresa era de suprimentos químicos e seguia com fornecedora de produtos secos. Um viés, uma visão de dentro para fora, dentro de um mercado novo até então que se criava, em tecnologia e em consumo, entre profissionais e amadores que se formavam.

Mas devemos fazer um breve exercício aqui, de que seu negócio era de “registrar a lembrança“, sendo muito além do negócio de suprimentos químicos, o que o travaria futuramente exatamente para o mercado em um próximo nível de mudança inovadora perdida pela empresa, por essa visão “curta” (minha nota).

Comercial da Kodak para TV, do filme 35mm, de 1985

Em 1975 o engenheiro da Kodak, Steve Sasson, criou a tecnologia de CCCs para registro digital.  Era incipiente, um começo, claro, com uma câmera pesando 4 kg, imagem de 0,01 egapixel e 30 imagens em P&B de armazenamento, em fita cassete, tecnologia disponível. Incrível e fascinante, contudo, nada exponencial para seu tempo e para a diretoria da empresa, em sua visão de curto prazo. Para a época, porque os autores relatam o comparativo com a Lei de Moore, (Gordon Moore, fundador da Intel) em que o número de circuitos integrados vinha dobrando a cada 12 / 24 meses, (podemos ler “velocidade” de processamento).

Uma semente estaria ali plantada para o futuro da Kodak. Neste contexto a empresa não fez esta leitura e sim que este modelo seria um concorrente da própria Kodak, em fornecimento de placas e filmes para fotógrafos. Ao final travou o desenvolvimento da inovação e “enterrou” o projeto.

Contrastes

O engenheiro Sasson ainda estimou para a diretoria da empresa entre 15 a 20 anos para a tecnologia estar em processo evolutivo que pudesse atender às necessidades dos consumidores, com 2 milhões de mega pixels. Mas foi arquivado o processo. Em 1996 a empresa tinha 140 mil funcionários, valia U$$ 28 bilhões e controlava 85% do mercado de câmeras e 90% do de filmes nos EUA, segundo o livro. Em 2007 parou de obter lucros e em 2012 entrou em concordata.

Em tempo!

Tem-se debatido muito hoje sobre a empresa buscar realizar o exercício diário de buscar entender como matar seu próprio negócio. Vimos com este case que o gigantismo dos números atrelado ao fato de estarem inseridos em um tempo regrado por certezas, impediu a própria empresa de revolucionar novamente o mercado e a si mesma, além de si salvar do próprio fim.

O livro é rico em informação e indicações de soluções práticas e com métodos, como o modelo de “6 Ds Exponenciais”, o qual nos facilita realizar uma leitura macro da evolução de modelos de negócios. Apenas para citar alguns deles: Digitalização, Decepção, Disrupção, Desmonetização, Desmaterialização e Democratização. E tendo o case Kodak como pano de fundo fica claro o caminho perdido pela empresa.

Parênteses

Hoje o mercado de câmeras digitais está nos smarphones, ou seja, somente profissionais praticamente utilizam o processo em máquina exclusiva. O preço e entrega de uma máquina com telefone e acesso à internet não justificaria adquirir outra máquina somente para registro de fotos para uso de forma amadora. Uma evolução que presenciamos (quem é nascido até anos 1980), com a chegada das primeiras câmeras digitais pequenas e assim portáteis, com armazenamento em disquete, depois em cartões de memória. A Kodak perdeu uma oportunidade de seguir seu propósito, independente da tecnologia utilizada, em ser a primeira e liderar o mercado.

Vejo que muito além do mercado de smartphones as imagens digitais estão no modo “Share” atualmente, e não no modo “Printable”em sua prioridade de necessidade, visto sucesso do Instagram, Pinterest, Facebook, Whatsapp e similares apps de imagem ou até mesmo redes sociais.

A Kodak até buscou alternativas em seguida, e ainda sim, sempre atrás de Sony e outras empresas que largaram na frente por deterem tecnologia em outros campos. Novamente observamos o concorrente surgir de outro mercado e dominá-lo, como foi com os telefones, Nokia x Samsung x Apple, por exemplo.

Kodak Moments

Algo similar com segmento de relógios, mas que ainda está em processo de transição com os iWatches e tecnologia vestível. Samsung, Apple, que até então eram empresas de computadores e eletrônicos, entrando neste negócio. Neste contexto, a indústria original relojoeira busca ainda seu lugar, em uma disputa pela mudança de produção exclusiva do analógico/digital para o digital conectável. E, por terem entrado tardiamente e não liderado este momento em sua maioria, perdem em velocidade de inovação e reconhecimento do mercado consumidor como potenciais marcas relevantes neste segmento.

Apple Watch

Ao longo do livro Peter Diamandis e Steven Kotler ainda compartilham, entre tantos tópicos tão relevantes quanto, 8 Princípios do Google de Inovação, tais como : “Foco no Usuário“, “Nunca Deixe de Fracassar” e “Tenha uma Missão significativa“, entre outros.

Podemos dizer que hoje o foco no cliente, no usuário, no consumidor inspira ações de marketing, soluções em Design UX entre demais recursos que tornam as relações comerciais e de consumo mais leves, líquidas e talvez, pouco mais fiéis. Há de se observar que vivemos em uma era de pouca fidelidade às marcas, mas aquelas que se dedicam a entender um pouco mais a jornada do cliente em seus momentos de compra e conseguem minimizar ao máximo suas dores, reparando arestas, podem sim, conduzir certa fidelidade.

O livro traz também 13 Melhores Práticas de Crowdsourcing, tais como: “Faça sua Pesquisa“, “Recorra a Fóruns de Discussão“, “Defina Papéis Claros“, entre outros, apenas para exemplificar aqui. Abordam também a técnica para “Crowdfunding“, e ainda sobre os temas: “Construção de Comunidades na prática“, “Desenvolvimento através de Competições e Premiações” e “Modelos de Iniciativas”. Lembrando que Diamandis é fundador e presidente da X Prize.

Uma leitura voraz

Se você procura um livro para ler e apenas buscar insights, esta obra vai além. Não é uma obra para se ter e colocar na estante como arquivo depois de lida. Considere mesmo tê-la como um guia (que é seu propósito aberto), pois esta sensação pode até não surgir inicialmente, mas está lá potencialmente. Na leitura inicial somos impactados pelo conteúdo, que de tão atual e próximo de nós nos leva a reflexões e críticas ao redor. A parte do “Manual Prático”, dito pelos autores, sem dúvida surgirá de forma mais enfática em uma segunda leitura, com teorias já absorvidas, para, enfim, nos encher de inspiração.

Livro: Oportunidades Exponenciais, Um manual prático para transformar os maiores problemas do mundo nas maiores oportunidades de negócio… e causar impacto na vida de bilhões

Autores: Peter H. Diamandis e Steven Kotler

Editora: HSM/2016

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Por Cristiano Lynn Morley, publicitário, profissional de marketing e fundador do oPlanodeVoo.com

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