Livro da Semana VI – A loja de tudo, Jeff Bezos e a era da Amazon

A Amazon é muito mais do que um varejo. É uma resposta do empreendedorismo nato de Jeff Bezos e sua incrível habilidade de construir e desconstruir ideias, soluções, juntar pessoas e criar um universo que no final faz total sentido.

Escrever sobre a Amazon é um aprendizado, por tão complexo que é o grupo de marcas adquiridas e construídas e a persona de Bezos. A obra é sobre o empresário e ao mesmo tempo sobre a empresa, ou conglomerado econômico, podendo se entender como algo único.

Como cliente Amazon e como atuante em marketing ela tem minha admiração, pela entrega rápida e experiência de compra de produtos e serviços inovadores para sua época. Em tempo, outros como Google, Apple, Microsoft em tecnologia e o Walmart de Sam Walton.

O texto está longe de ser um resenha e nem se propõe a isso, mas sim a inspirar mudança através de uma releitura de pontos relevantes ao ambiente de negócios que o livro corrobora.

Livro: “A Loja de Tudo” de Brad Stone

Completei a leitura de “A Loja de Tudo” há poucos meses, no fim de 2018. É um livro sobre Jeff Bezos e escrito por Brad Stone, jornalista que cobre a Amazon e o Vale do Silício há mais de 15 anos.

A obra tem um pouco de drama e suspense, em que há torcida para um herói entre aspas ou um pouco anti-herói. Um paralelo estranho para uma história de um cara simples e com inteligência destacada, que construiu um império e hoje é um dos mais ricos do mundo, em meio a disputas judiciais no mercado envolvendo conquistas de marcas e inovações com patentes.

Perfil Jeff Bezos

Vemos claramente em toda a história descrita por Stone que Bezos de fato é um homem ambicioso, implacável com sua missão de levar o melhor para seus clientes. Fica explícito através de inúmeros exemplos do nível de exigência de seus executivos para soluções de algo que o sistema não estava preparado até então.

O fundador da Amazon é um visionário no sentido literal. Conseguia enxergar modelos de negócios anos à frente do seu tempo. Quando lemos as histórias de construção de usabilidades, soluções de vendas e aquisição de produtos e serviços ou até mesmo das dramáticas propostas de aquisições de empresas até suas compras efetivas, é possível entender uma mente estrategista por trás do conglomerado. Além do seu perfil avassalador, em função do foco de transformar não só sua empresa, mas o mercado, o que acabou ocorrendo de fato.

Discurso do fundador da Amazon, Jeff Bezos

Gestor de Empresas

Quando se entra no tópico de gestão percebe-se uma pessoa muito focada na crença por competências, desde uma seleção acurada por executivos a compor sua staff à mesma atenção pelo jogo de aquisição de empresas. Chega a extremos por acreditar em seus sonhos e objetivos, ou sua missão de vida, como a tirar executivos de outras empresas de formas incisivas em negociações longas a eliminar concorrências grandes do mercado. Criticado por uma ausência de tato com sua equipe no cotidiano, contrata os melhores profissionais, entre mestres e PhDs para cargos que exigem conhecimento de alto nível.

Sua liderança de empreendimento é destacável, mas por focar no trabalho e menos na família de sua equipe, foi questionado. A família não seria o forte, deixando claro que não buscava o equilíbrio como meta de trabalho a suas equipes, quando sobre o tema envolvendo exigência e dedicação de seus funcionários .

Jeff Bezos no site da revista Fortune como o número um.

Bezos enfrentou descrença do mercado em inúmeros momentos, como com investidores por resultados financeiros, da época da bolha ponto.com, passando pelo momento de início da empresa, com a seleção da categoria de venda por livros. Sua gestão empresarial não foi tão fácil, chegando a se afastar como CEO em determinado ano e retornando depois ao seu posto.

Seu perfil traçado pelo autor se traduz em um estilo workaholic, como quando conduzia reuniões nos fins de semana para treinamentos e alinhamentos estratégicos e horas de dedicação ao negócio, atrelado a um foco extremo por competências e inovação. Ainda pela descrição do livro, um pouco de falta de lido com pessoas, sendo, entretanto, um negociador hábil, a se dizer pelas inúmeras aquisições, se completa com poder de surpreender em saber comemorar conquistas grandes, mas pontuais.

Crescimento Exponencial Amazon

Em um clima de percepção do ambiente interno, pelo menos na primeira fase da Amazon, de um caos controlado pela característica de eterno crescimento da empresa, sempre trocando a asa do avião com ele voando.

Desenvolver produtos inovadores ou soluções internas que se tornaram referência do segmento em muito fruto de sua persistência como dono.

É uma empresa de logística, não de varejo. Uma empresa de tecnologia, não de varejo. Talvez por isto tenha criado mercados. Atividades como o da Amazon Web Service, o de Armazenagem/Distribuição para terceiros e até o da Amazon Alexa, são exemplos de sucesso a partir do foco obstinado pela perfeição, desenvolvendo soluções encontradas em oportunidades vistas em lacunas no mercado.

Sua crença na perfeição se destina a moldar o mercado em que atua como referência nas diferentes entregas. Entrega literal do produto, o delivery, de qualquer item, e com entrega de valor, espelhado na experiência de compra. Seu objetivo se tornou como um mantra, tornar a Amazon “A loja de Tudo” e assim visto na consolidação de várias categorias de produtos e no próprio nascimento do leitor digital Kindle. Seu pensamento focado no consumidor é nato e tudo começou em 1994 quando decidiu sair de uma grande empresa e montar seu próprio negócio em Seatle.

Jeff Bezos é capa da Revista Forbes

Desde a criação de produtos inovadores em e-commerce, como o 1-Click em 1999, que hoje é licenciado para Apple entre outras empresas, passando por implantação de solução marketplace no próprio site Amazon, juntamente com seus produtos, levando diferenciais de experiência ao cliente e assim um aumento de visitas com maior número de conversões em compras se consolidou. Muitas usabilidades vieram à tona depois de muito investimento em estudos, pesquisas e patentes, para de fato, terem uma entrega real de valor e não apenas ser mote de uma propaganda vazia, como pontualidade e rapidez de logística.

Empresas adquiridas, como a Zappos e Diapers, só ocorreram por estarem no caminho do plano de estruturar uma loja de tudo e ser um desfecho para seu plano de negócio. Em momentos distintos de sua história percebemos um jogo pesado nos bastidores para se chegar a um movimento estratégico com único fim, conduzido por um extremo senso de inteligência competitiva de mercado.

O fundador da Amazon acredita fielmente que o atendimento ao cliente é sua missão, levando usabilidade e qualidade como diferenciais de cultura e imagem da Amazon no mercado como marca. Vendas de produtos com apoio de algoritmos em soluções de tecnologia para ofertar sempre ao cliente uma compra maior ou cruzada com outro item, atrelando a seu comportamento de navegação e consumo sugestões de leitura de novos livros e outros itens, conforme análises das equipes de backoffice do gigante banco de dados disponível.

“Elevar os padrões em toda indústria do mundo inteiro, mantendo o cliente sempre como foco”. Jeff Bezos

Relação com Fornecedores

Ávido em solucionar problemas, entendeu certa vez que seu negócio dependia exclusivamente de solução interna em logística quando um fornecedor de sistema de armazenagem não atendia a seus altos padrões de performance em entrega. Bezos solicitou a sua equipe programar o próprio sistema interno.

Sua relação com fornecedores é um caso à parte e ilustra uma mão forte para conduzir algo que acredita, como na escolha de locais de armazenamento e negociação forte com empresa de entrega. Essa mesma mão forte atuante também em negociações para soluções de modelos diversos de negócios inovadores para a época, como para a viabilização do caso Kindle. Bezos chegava a criar, desenvolver empresas à parte do negócio central, como uma das estratégias de compra de outras empresas ou para criar soluções para a própria Amazon. Muito o que hoje vemos sobre start ups vindas de um spin off de grandes empresas.

Cultura de Inovação

Ideias são bem vindas na Amazon, como assinatura anual para entrega mais rápida ao cliente, um dos carros chefes da empresa há muitos anos. Criou o prêmio “Just do It”, para o funcionário que apresentasse uma solução ou uma ideia notável. O prêmio é ou era um para de tênis número 47 do ex-jogador de basquete Dan Kreft, da Universidade de Northwestern, que também era funcionário da Amazon em programação. Não poderia ser algo muito caro, mas sim com relevante e constantemente fornecido. O conceito era sempre elevar o nível.

“Na Amazon havia 150 boas ideias o tempo todo, e Jeff era capaz de desenvolver uma nova a cada dia”.

Bezos buscou experiência de compra como diferencial criando logo em seu começo descritivos de livros no site, feito como uma espécie de curadoria por editores para o cliente “simular” uma indicação de um livreiro ou vendedor real de loja física.

Sua busca por ser o mais barato da internet o levou a diversas experiências e por isto seu caráter inovador, sem medo de errar. Comprou sim empresas que não deram muito certo, criou serviços que não surtiram muito efeito e ao mesmo tempo conseguiu consolidar em único site sua missão de “A Loja de Tudo”, moldando a si mesmo.

Transformação Digital

Enfrentou toda uma transformação digital e não só não perdeu o “bonde” como foi um dos que liderou o movimento quando entendeu a migração do modelo de negócio para a digitalização, retomou o projeto Kindle, que aliás é um dos mais memoráveis exemplos de visão de negócio, e iniciou modelos de negócios baseados em assinaturas e entregas digitais.

O kindle deveria ser uma janela na palma da mão para qualquer um poder baixar ou ter acesso a qualquer livro existente. Criou o Kindle unlimited, que permite acesso ilimitado a livros através de uma assinatura. No Brasil há disponibilidade de 1 milhão de ebooks, segundo próprio site.

O livro é rico para administradores, inovadores e fundamentalmente para empreendedores. Fato que a Amazon não é uma empresa de varejo, apesar de ser sua missão como negócio. Mas sim todo o foco em ter um core em tecnologia a projetou a décadas adiante, estando já preparada para uma mudança de jogo que também ajudou a conduzir.

Por sua base estrutural como empresa ser já vinda de programação, ou seja, no digital, foi fato preponderante no sucesso do empreendimento, visto que a curto prazo não obteve resultados positivos financeiros, tendo sempre defendido seu propósito como negócio a longo prazo, o que se justificou no caminho transcorrido com a consolidação de diversas categorias de itens e de parcerias estratégicas.

A Amazon usou a tecnologia a seu favor nesta mudança pela característica singular do digital em possibilitar banco de dados e inúmeros indicadores e com isso deslanchar com algoritmos para leitura de comportamento de compras e sugestões para uma cesta “quem lê isto lê o que mais”.

Produtos que aparentemente não se dialogam, no mundo da “A Loja de tudo” fazem total sentido, como Amazon Prime, a sua versão da Netflix, como evolução de sua locadora virtual de DVD. A Alexa, assistente virtual para o Echo, completa o portifólio de usabilidades que se confundem com produtos e serviços ofertados.

Em tempo! Novos Mercados

O mercado norte-americano dos Smart Speakers ou assistentes caseiros, como o Google Home e Apple HomePod, cresce e é onde a Amazon apresenta parcela dominante de participação em vendas com o Amazon Echo. Em sua aquisição pelo jornal The Washington Post em 2013 por U$$ 250 milhões, que foi em separado do grupo Amazon, houve certa crítica sua à baixa tecnologia digital do jornal naquele momento, tendo revertido rapidamente, seguindo passos de sucesso da Amazon neste quesito.

A Amazon e Bezos conseguiram entender o que a Kodak não entendeu nos anos 1970, quando surgiu a tecnologia de foto digital em seu próprio laboratório e ela mesma a matou. (Leia neste post do oplanodevoo.com aqui). Bezos entendeu anos antes que o Marketplace era a co-solução para seu negócio e não uma concorrência a ser deixada de lado.

Certa vez, em uma reunião de apresentação para executivos da Amazon com o autor Jim Collins, na ocasião de lançamento de seu novo livro, eles descreveram o Círculo Virtuoso da empresa:

“Quanto mais produtos, mais visitas, quanto mais visitas mais vendedores externos, e assim mais comissão”.

Desta forma ele atrelou a venda de outras pessoas ou empresas dentro do site da Amazon, concorrendo de certa forma com ele, mas entendeu que seria inevitável para evolução do processo.

Propósito

O livro “A Loja de Tudo” traz uma visão de mundo à frente do seu tempo, tendo ele participado da liderança de novas tecnologias para atender sim a seus objetivos como empreendedor, construindo, como poucos outros, histórias incríveis de superação e domínio do mercado.

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Livro: A Loja de tudo, Jeff Bezos e a era da Amazon

Autor: Brad Stone

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Por Cristiano Lynn Morley, publicitário, profissional de marketing e fundador do oPlanodeVoo.com.

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