Post | Diálogos – O Planejamento e o Bootcamp

O universo do planejamento de comunicação talvez esteja sendo um dos mais mutantes dentre demais áreas de uma agência. Perfis cada vez mais jovens atuam e se envolvem com essa atividade, trazendo à reflexão a união do pensamento teórico em formação estratégica, advindo geralmente por larga experiência de profissionais, com formatos de objetivos de atuação mais específicos, como o planejamento criativo, por exemplo.

A Miami Ad School, em parceria com a ESPM-SP, oferta o curso “Bootcamp de Planejamento“, entre outros do universo criativo e executivo da propaganda.  Hoje, somente disponível no Brasil via São Paulo e antes ocorria também no Rio de Janeiro, unidade carioca da ESPM. Unidade essa que dispõe agora de um formato mais curto, o Pocket – Planejamento de Comunicação”, com carga horária de 39h/a, comparada às 144h/a do Bootcamp paulista. Foi durante o curso do então “Bootcamp” carioca, em 2010, que conheci a publicitária Camila Gadelha, que participa neste post de um bate-papo digital sobre sua área de atuação em planejamento e de sua experiência pelo Bootcamp, estreiando em “Diálogos”.

Camila Gadelha

Há algum tempo pensava em trazer à luz alguns pensamentos, estruturados ou não, sobre essa experiência, que durou em torno de 80 dias. Dividida com colegas, em sua maioria da comunicação e setores de marketing, e com os professores, profissionais com larga experiência e notórios em suas atividades, o curso levou uma estrutura disciplinar atípica frente às experiências de graduação e cursos extras, na busca por apresentar aos alunos também uma base de simulação real de um Job, que na época foi realizado com cliente e briefing ditados pela Unimed-Rio.

Assim, como forma de trazer uma opinião externa Camila aceitou o convite do Blog oPlanodeVoo para uma conversa. Camila Gadelha é Planejadora e Estrategista Digital com seis anos de experiência. Já desenvolveu projetos para marcas como Coca-Cola, Santander e Drogaria SP. Atualmente trabalha na NBS com clientes como Suvinil, BRF, Takeda e Iguatemi.

Blog oPlanodeVoo – Camila, nos conte um pouco de sua trajetória profissional.

Camila Gadelha – Eu comecei a trabalhar com Planejamento, efetivamente, em 2009 com um cliente bem pequeno. Tinha acabado de fazer um freela de conteúdo em Mídias Sociais para a FSB, lá do Rio, e esse cliente precisava de um Planejamento Estratégico de Comunicação – que eu descobri depois que era bem diferente do Planejamento em agências de publicidade “tradicionais”. Depois disso fui pra uma agência que fazia branding, design e publicidade, a DIA. O povo de lá tinha interesse em começar a falar sobre Redes Sociais também, fazer mais trabalhos digitais, então eu fui tocando isso lá dentro. Acabei virando Gerente de Planejamento quando parte da equipe saiu por motivos pessoais. Toquei a área por um tempo e fiz alguns trabalhos interessantes pra clientes grandes. Depois fui chamada para a NBS aqui em São Paulo. Passaram-se dois anos e meio, e agora me despeço daqui pra ser Head de Plataformas Digitais na Artplan / Gruda, aqui em São Paulo também.

Blog oPlanodeVoo – Por que seu interesse pela área de planejamento?

Camila Gadelha – Eu tinha uns 22 anos e não tinha decidido muito bem o que fazer. Já tinha tido uma empresa de merchandising de bandas internacionais, que me fazia usar bastante a internet pra promover produtos. Já tinha estagiado em departamentos de Marketing e com Gestão de Crise. Adorava a internet, entendia alguma coisa de mídia digital, programação e era heavy-user de Mídias Sociais. O mercado em São Paulo já dava passos interessantes no sentido de trabalhar efetivamente com a internet para a publicidade, mas no Rio a coisa ainda andava bem escondida entre alguns nichos do mercado. Eu não me lembro bem da cronologia dos fatos, mas fui descobrindo mais sobre Planejamento Digital, Planejamento em Publicidade, virei fã do Jon Steel e conheci o Chico Vilhena, da NBS, que na época era Diretor de Planejamento e procurava alguém pra uma vaga. Achei incrível o escritório, o próprio Chico e o que ele falava do Planejamento. A partir daí comecei a estudar o o assunto e procurar oportunidades na área. Acho que o que mais me interessou foi a parte criativa, de falar sobre pessoas e estudar o comportamento humano. Sempre gostei muito de ficar vendo gente. 

Blog oPlanodeVoo – Qual sua opinião sobre a relevância do planejamento de comunicação e como o vê inserido no mercado publicitário em termos de importância e reconhecimento?

Camila Gadelha – Essa é uma pergunta bem polêmica e que mereceria um livro pra começar a, minimamente, introduzir o assunto. Outra coisa que essa pergunta precisa, no mercado brasileiro principalmente, é de um glossário que a acompanhe. Eu acho que planejamento em publicidade (ou planejamento criativo) é diferente de planejamento de comunicação, que por sua vez é diferente de planejamento estratégico. Eu fico um pouco desconfortável de dar declarações sobre como o planejamento está ou deixa de estar inserido no “mercado publicitário”, não conheço todas as agências, não sei como elas trabalham e nem como pensam sobre o assunto.

O que eu vejo, no meu dia-a-dia, conversando com os meus amigos e avaliando o meu microcosmos, é que o planejamento por aqui ainda precisa se entender, se definir e se fazer compreensível. O reconhecimento da disciplina está diretamente relacionada à quão relevante ela consegue ser dentro da agência, assim como também é relativa à quem está usando o seu trabalho. Conheço lugares, por exemplo, onde o planejamento é completamente irrelevante para a criação, mas ao mesmo tempo, o departamento consegue segurar cliente na agência porque tem as manhas de defender pesquisa de top-of-mind pra board de diretores e manter a verba do anunciante intacta. Assim como conheço equipes criativas que precisam do planejamento da agência pra gerar insights e conceituar campanhas antes deles partirem pro desdobramento criativo, ou não sai nada de muito legal.

Blog oPlanodeVoo – Como você traduziria sua passagem pelo Bootcamp da Miami Ad School, realizado na ESPM-Rio, para seu preparo profissional?

Camila Gadelha – Pra me preparar como profissional, acho que o Bootcamp da Miami Ad School promovido pela ESPM-Rio não foi muito útil. Hoje em dia eles trocaram o nome e passaram a chamar o curso de “pocket”, o que pra mim faz muito mais sentido. No entanto, ele foi bem interessante pra que eu conhecesse gente do mercado e me envolvesse com pessoas que curtiam o assunto. Foi como pagar uma graninha pra ficar perto de quem eu precisava ficar perto pra conseguir seguir dentro da profissão.

Blog oPlanodeVoo – Em sua passagem por Miami nos conte como foi seu contato com Miami Ad School de lá? E o que destacaria?

Camila Gadelha – O meu contato com a Miami Ad School foi muito na cara-de-pau. Eu tinha interesse em ir pra lá fazer um outro Bootcamp, que é o de Engajamento e Mídias Sociais, então quando estava nos EUA resolvi ir até lá conhecer a sede e ver como funcionava a coisa toda. Contei que tinha feito o curso no Rio e que estava nos EUA pra conhecer o mercado, as agências e tudo mais. Com isso eles me convidaram pra ir junto com a turma do Bootcamp de Planejamento visitar a SapientNitro e conversar com os heads de planejamento. Essa é uma atividade bem legal que eles fazem por lá. No final dos três meses de curso os alunos são levados às agências grandes e mostram seus portfolios de cases elaborados durante o Bootcamp. Nesse dia, a agência era em Miami mesmo, mas na semana seguinte o pessoal viajou pra fazer o mesmo exercício em várias agências de Nova Iorque. Eu achei que o pessoal do curso era bem junior. A maioria ainda não tinha experiência com planejamento. Então imagino que seja mais indicado pro pessoal que tá começando, mesmo. 

Blog oPlanodeVoo – O que recomendaria para os alunos da graduação que desejam atuar em planejamento de comunicação?

Camila Gadelha – Não sei se eu sou a pessoa mais indicada pra falar com alunos de graduação em publicidade sobre planejamento. A primeira coisa que eu diria é para saírem da graduação em publicidade e irem estudar coisas mais legais. Antropologia, estatística, e até física e química podem ser mais interessantes pra formação de um planejador do que uma graduação em publicidade. Escrevam horrores, também. Estudem pra caramba e tenham curiosidade sobre o mundo. Acho que falaria pra irem pra rua também, fazer coisas bacanas e não ficar só preso no mundinho de publicidade. Evitem as festas do mercado e os clichês. Não se matem por leões. Entendam que existe uma responsabilidade grande em trabalhar com comunicação e influenciar os hábitos das pessoas. Não sejam bobões.

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Por Cristiano Morley, publicitário, fundador do blog OplanoDeVoo

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